Comprar nunca foi tão fácil sem entrar em uma loja. O consumidor pode descobrir um produto nas redes sociais, pesquisar avaliações, comparar preços, pedir recomendações para ferramentas de inteligência artificial e concluir uma compra pelo celular em poucos minutos. Se a função de uma loja física fosse apenas disponibilizar produtos para uma transação, seria legítimo questionar quanto sentido esse espaço ainda teria diante da eficiência crescente dos canais digitais.
Os números mostram, porém, uma realidade mais complexa. Segundo pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, 71% dos consumidores brasileiros pesquisados compram pela internet pelo menos uma vez por mês. Ao mesmo tempo, outro levantamento sobre consumo multicanal das mesmas entidades mostrou que 82% ainda realizam compras em lojas físicas. Entre as vantagens atribuídas ao presencial, aparecem atendimento, demonstração de produtos, facilidade de troca e possibilidade de experimentar antes da decisão.
A conclusão não é que o digital substituiu o físico nem que a loja física venceu o e-commerce. O que está desaparecendo é a necessidade de escolher entre um canal e outro. O consumidor transita entre eles conforme conveniência, preço, confiança, urgência, necessidade de experimentação e tipo de produto. Nesse cenário, a pergunta mais relevante deixa de ser “a loja física ainda faz sentido?” e passa a ser “qual função a loja física precisa desempenhar para continuar fazendo sentido?”
É justamente aí que a arquitetura comercial muda de papel. Se o cliente já consegue comprar sem visitar um endereço físico, a loja precisa oferecer algo que justifique sua existência dentro da jornada: permitir experimentar, descobrir, comparar, interagir, receber orientação, criar vínculos com a marca e produzir experiências que continuem gerando valor mesmo quando a compra termina em outro canal.
A trajetória recente da Vizzela ajuda a demonstrar essa transformação. A marca construiu grande parte de sua força a partir do ambiente digital, das redes sociais e de uma comunidade altamente engajada, além de ampla distribuição por lojas multimarcas. Quando decidiu desenvolver canais físicos próprios, o objetivo não era simplesmente acrescentar novos caixas à operação. Era criar um lugar onde o consumidor finalmente pudesse viver de forma completa o universo que já conhecia pelas telas.
O crescimento do e-commerce não elimina a loja física — muda sua função
Durante muito tempo, o principal indicador de uma loja foi aquilo que acontecia dentro de suas quatro paredes: fluxo, conversão, ticket médio, faturamento e rentabilidade por metro quadrado. Esses indicadores continuam importantes, mas uma operação omnichannel exige ampliar a leitura sobre o valor produzido pelo espaço.
Um consumidor pode conhecer uma marca ao passar em frente a um quiosque, experimentar um produto na loja, seguir a empresa nas redes sociais e fazer a compra pelo e-commerce alguns dias depois. Outro pode pesquisar online, visitar o ponto físico para testar uma tonalidade e concluir a compra ali. Há ainda quem compre digitalmente e passe a visitar a loja depois de desenvolver confiança na marca.
Quando os canais trabalham dessa forma, atribuir todo o resultado apenas ao ponto onde a transação foi concluída oferece uma visão incompleta da jornada.
Essa relação é conhecida no varejo como efeito halo: a presença física de uma marca pode influenciar conhecimento, confiança, tráfego e vendas que aparecem posteriormente em outros canais.
O que é efeito halo no varejo?
No contexto omnichannel, efeito halo é o impacto que a presença de um canal exerce sobre o desempenho de outro. Uma loja física, por exemplo, pode aumentar reconhecimento e confiança em determinada região, fazendo com que consumidores que conheceram a marca presencialmente passem a comprar também no e-commerce.
Uma das pesquisas mais relevantes sobre o tema é o Halo Effect III, da ICSC, que analisou quase US$ 850 bilhões em gastos, 69 varejistas e mais de 2.100 lojas. O estudo identificou que a abertura de uma unidade física foi associada a um aumento médio de 6,9% nas vendas online dentro da região atendida pela nova loja. Entre varejistas emergentes e de origem DTC, o efeito observado chegou a 13,9%. Em sentido contrário, o fechamento de uma loja esteve associado a uma queda média de 11,5% nas vendas digitais daquela área.
Os percentuais não devem ser automaticamente transferidos para qualquer varejista, porque categoria, maturidade da marca, localização e estratégia comercial interferem no resultado. O que a pesquisa evidencia é algo mais importante: medir o valor de uma loja somente pelas vendas registradas naquele endereço pode subestimar sua contribuição econômica para a marca.
Esse raciocínio é particularmente relevante para marcas que cresceram digitalmente e começam a ocupar o varejo físico. A loja pode vender diretamente, mas também pode funcionar como mídia, espaço de experimentação, ferramenta de aquisição de novos consumidores e ponto de construção de confiança.
Vizzela: quando uma marca de forte origem digital decide ocupar o espaço físico

Criada dentro de um mercado de cosméticos fortemente influenciado pelo digital e pelas redes sociais, a Vizzela construiu sua presença nacional por meio da combinação entre comunidade online, e-commerce e uma ampla distribuição em lojas parceiras e canais multimarcas.
Com o crescimento da marca, entretanto, surgiu uma limitação importante: os produtos conseguiam chegar ao consumidor, mas a experiência completa da Vizzela não necessariamente chegava junto com eles. Em um ambiente multimarca, a empresa possuía menos controle sobre exposição, atendimento, experimentação, embalagem, comunicação e sobre a maneira como aquele momento de compra representava seu posicionamento.
Foi a partir desse diagnóstico que a Vizzela iniciou um projeto de varejo físico próprio, inicialmente através de lojas e quiosques. Como explica Aline Waiser, diretora de marketing da marca, no livro Arquitetura que Vende, a intenção era levar ao consumidor final uma identidade que a empresa considerava muito particular. A GDesign passou a atuar justamente na criação dos conceitos físicos capazes de traduzir esse universo em arquitetura.
O desafio era especialmente interessante porque não se tratava de inventar uma nova personalidade para a marca. Ela já existia e estava fortemente estabelecida no ambiente digital. A arquitetura precisava fazer com que alguém que conhecesse a Vizzela pelo Instagram, por influenciadores ou pelo e-commerce entrasse em um espaço físico e reconhecesse imediatamente o mesmo universo.
Uma marca divertida precisava continuar divertida fora da tela

A identidade da Vizzela trabalha cor, leveza, humor, inclusão e uma comunicação visual bastante reconhecível. Transportar esses códigos para a arquitetura comercial não significava simplesmente aplicar as cores da marca nas paredes e mobiliários.
Era necessário entender que tipo de comportamento aquele universo deveria gerar dentro do espaço. As unidades passaram a trabalhar cores intensas, elementos interativos, ambientação divertida, áreas capazes de estimular produção de conteúdo e uma relação muito mais livre com os produtos.
Essa característica acabou criando um efeito que ultrapassa o próprio ponto de venda. Segundo Aline, as lojas e quiosques passaram a gerar espontaneamente conteúdo de consumidores e influenciadores justamente por serem coloridos, diferentes e alinhados à personalidade que a comunidade já associava à marca. O espaço físico tornou-se, dessa maneira, também uma ferramenta de comunicação orgânica.
Esse é um exemplo importante de como a função contemporânea da loja não termina na venda. Uma pessoa pode visitar a unidade, produzir conteúdo, compartilhar aquela experiência e aumentar a exposição da marca para dezenas ou milhares de outras pessoas que não estiveram fisicamente ali.
A arquitetura passa a funcionar simultaneamente como ponto de venda, experiência e mídia.
A loja física permite controlar aquilo que a marca não controla no canal multimarca

Ter ampla distribuição é uma vantagem significativa, mas existir dentro do espaço de outro varejista significa compartilhar o controle da experiência. A marca decide produto, embalagem e parte da comunicação, enquanto exposição, atendimento, circulação e grande parte do ambiente pertencem ao parceiro comercial.
Para a Vizzela, uma das oportunidades dos canais próprios estava justamente na possibilidade de controlar mais etapas da jornada. A arquitetura poderia responder diretamente à maneira como o consumidor compra maquiagem, em vez de simplesmente acomodar produtos dentro das condições disponíveis.
Esse raciocínio aparece, por exemplo, na categoria de presentes. Segundo o relato da marca no livro, a maquiagem passou a ocupar também um território de presenteável, mas, nos pontos multimarcas, a Vizzela tinha pouco controle sobre embalagem, criação de kits e experiência daquele momento de compra.
Por isso, o conceito desenvolvido passou a incorporar uma Gift Shop, permitindo escolher produtos, montar kits e completar a experiência com sacola, fita, caixa e cartão. Algumas unidades também receberam áreas “Vizzelovers”, reunindo itens ligados à comunidade da marca, como nécessaires, chaveiros, bonés, press kits e produtos relacionados ao Pandacórnio.
Essa decisão demonstra como olhar estrategicamente para o mix pode alterar o papel da própria loja. O ponto físico deixa de ser apenas mais um lugar para comprar os mesmos SKUs disponíveis online e passa a oferecer produtos, ocasiões de consumo e experiências que ajudam a aumentar a amplitude da relação com a marca.

Um bom projeto de loja precisa compreender o mix antes de desenhar o mobiliário

Uma das questões mais importantes em arquitetura comercial é que layout e mobiliário não deveriam ser desenvolvidos antes da compreensão do mix. A quantidade de produtos, suas dimensões, margens, frequência de compra, categorias estratégicas e necessidades de experimentação interferem diretamente na distribuição do espaço.
No caso de uma marca de maquiagem, essa relação é especialmente evidente. Produtos para olhos, lábios, pele e skincare possuem comportamentos de compra diferentes. Algumas categorias dependem fortemente de comparação de tons; outras funcionam como compra de impulso; algumas precisam de testers e espelhos, enquanto itens presenteáveis demandam uma lógica de exposição diferente.
Quando todos os produtos são tratados da mesma forma, o layout pode até parecer organizado, mas deixa de trabalhar comercialmente as diferenças existentes no portfólio.
A arquitetura precisa organizar o espaço a partir dessas prioridades, construindo hierarquia entre categorias, produtos de entrada, lançamentos, itens estratégicos, experimentação, presentes e produtos ligados à comunidade.
Essa é uma diferença importante entre preencher uma loja com mobiliário e desenvolver um layout comercial.
Em beleza, experimentar continua sendo uma vantagem competitiva do físico

A maquiagem é uma categoria particularmente favorável ao varejo físico porque parte significativa da decisão envolve experimentação. Cor, textura, acabamento e compatibilidade de tom nem sempre são percebidos integralmente através de uma tela, mesmo com a evolução das ferramentas digitais.
No projeto da Vizzela, essa característica foi considerada na criação de áreas com espelhos e provadores, permitindo que consumidores testassem produtos e encontrassem opções mais adequadas ao seu perfil. A proposta da GDesign foi estruturar espaços capazes de favorecer permanência, circulação livre e contato mais próximo com o mix.
Esse ponto se conecta aos dados brasileiros sobre comportamento omnichannel. Na pesquisa da CNDL/SPC Brasil, 55% dos consumidores identificaram a demonstração do produto como uma vantagem da loja física, enquanto 58% destacaram o atendimento. CNDL
Quando o digital resolve com enorme eficiência busca, preço e conveniência, a loja precisa potencializar aquilo que depende de presença: experimentar, tocar, comparar, conversar e descobrir.
A loja física pode apresentar a marca para quem nunca a procurou online

Existe outra diferença importante entre digital e físico: no ambiente online, grande parte das interações começa a partir de alguma intenção. O consumidor procura determinado produto, segue um perfil, recebe um anúncio ou é impactado por um algoritmo baseado em interesses anteriores.
Uma loja ou quiosque acrescenta uma possibilidade distinta: a descoberta não planejada. Alguém que não estava procurando pela marca pode passar pelo espaço, ser atraído por sua comunicação e iniciar uma relação que não aconteceria naquele momento no ambiente digital.
Esse aspecto foi percebido pela própria Vizzela quando começou a expandir os canais próprios. A arquitetura permitia que os espaços funcionassem também como ambientes de descoberta para pessoas que ainda não conheciam a marca, ao mesmo tempo em que oferecia aos consumidores já existentes uma experiência mais completa.
Para marcas com comunidades digitais fortes, essa combinação é particularmente poderosa. O físico não precisa disputar com o digital os mesmos consumidores da mesma maneira. Ele pode ampliar a exposição, criar novos pontos de entrada para a marca e alimentar novamente os outros canais.
Quiosque, loja e flagship não precisam cumprir a mesma função

Outro aprendizado importante da estratégia física da Vizzela é a utilização de diferentes formatos. A marca não tratou quiosque, loja e flagship como versões apenas maiores ou menores do mesmo projeto; cada tipologia pode responder a uma função diferente dentro da estratégia.
Os quiosques possuem alta exposição ao fluxo dos shoppings e funcionam muito bem para descoberta, experimentação rápida, presenteáveis e venda direta. As lojas permitem ampliar sortimento, permanência e profundidade da experiência. Já a flagship, inaugurada em 2026 na região da Oscar Freire, em São Paulo, assume uma função mais ampla de construção de marca, comunidade e experimentação. A unidade possui 118 m² e foi apresentada pela própria marca como um hub de experiência e branding, com maquiagem, skincare, café e ativações.
Essa distinção é importante porque uma rede não precisa obrigatoriamente replicar a mesma loja em todos os endereços. Diferentes formatos podem desempenhar funções complementares dentro do ecossistema comercial.
Uma flagship pode produzir conteúdo, testar experiências e consolidar posicionamento. Um quiosque pode ampliar capilaridade com investimento e metragem diferentes. Uma loja de shopping pode aprofundar relacionamento e aumentar o acesso ao portfólio. O que precisa permanecer consistente é a capacidade de o consumidor reconhecer a marca e compreender sua proposta em cada um desses formatos.
A expansão física da Vizzela não significou abandonar o digital
Quando marcas de forte presença online abrem lojas, uma interpretação equivocada seria considerar que elas estão substituindo sua estratégia digital pelo varejo físico. Na prática, o movimento normalmente é o oposto: novos canais aumentam as possibilidades de contato com o consumidor.
A própria Vizzela demonstrou preocupação inicial com possíveis conflitos entre canais. Segundo Aline, os primeiros quiosques geraram questionamentos de alguns lojistas parceiros, levando a marca a estruturar políticas comerciais específicas para equilibrar e-commerce, operação própria e distribuição multimarcas.
A expansão posterior mostra como o modelo evoluiu. Em agosto de 2026, uma entrevista da Beauty Fair registrava oito quiosques em shopping e uma flagship; desde então, a empresa continuou anunciando novas unidades, inclusive novas lojas e quiosques em diferentes mercados.
O ponto central não está em escolher entre físico e digital, mas em definir qual trabalho cada canal realiza melhor dentro da jornada.
A loja física também pode ser uma ferramenta de branding mensurável
Uma das dificuldades históricas ao avaliar flagships e lojas de experiência é separar resultado comercial de construção de marca. Se uma pessoa visita uma loja, conhece um produto e compra online posteriormente, um modelo de atribuição limitado pode creditar toda a receita ao e-commerce.
O efeito halo ajuda a ampliar essa leitura. A pesquisa da ICSC mostra que a abertura de lojas pode elevar vendas digitais na região em que o espaço passa a operar, com impacto particularmente relevante entre marcas emergentes de origem digital.
Isso não significa que toda nova unidade automaticamente aumentará o e-commerce, nem permite atribuir à Vizzela os mesmos percentuais observados no estudo. Significa que a análise do ROI de uma loja omnichannel precisa considerar mais do que o faturamento registrado no caixa daquele endereço.
Tráfego no e-commerce da região, aumento de buscas pela marca, novos cadastros, crescimento de seguidores, conteúdo orgânico, retirada e troca de compras digitais, aquisição de clientes e recorrência podem fazer parte de uma leitura mais ampla do desempenho.
Essa mudança é particularmente importante para flagships, porque uma loja conceito normalmente possui uma função maior do que maximizar vendas por metro quadrado.
Experiência sensorial só faz sentido quando ajuda a construir a marca
À medida que a experiência se torna uma das justificativas para visitar uma loja, surge também um risco: transformar “experiência” em uma coleção de elementos instagramáveis sem relação clara com o negócio.
Uma arquitetura sensorial eficiente não é aquela que possui mais cores, sons, aromas, telas ou instalações. É aquela em que os estímulos ajudam o consumidor a compreender e lembrar a marca.
Na Vizzela, cor, diversão, experimentação e produção de conteúdo fazem sentido porque já pertenciam ao universo da empresa. A loja não precisava inventar uma personalidade para se tornar interessante; precisava materializar uma personalidade que a comunidade já reconhecia no digital.
Essa coerência é fundamental. Quando arquitetura e posicionamento seguem direções diferentes, o espaço pode gerar impacto visual sem fortalecer a marca. Quando trabalham juntos, a experiência física acrescenta materialidade a algo que antes existia principalmente na comunicação.
Então, sua loja física ainda faz sentido?
A resposta depende menos da existência do e-commerce e mais do papel que aquele espaço desempenha dentro do negócio.
Se uma loja oferece exatamente a mesma experiência que o consumidor consegue ter pela tela, adicionando deslocamento, fila e esforço sem entregar nenhuma vantagem relevante, é legítimo questionar seu papel. Porém, quando o ambiente permite experimentar produtos, acessar atendimento, compreender melhor o mix, viver a marca, gerar conteúdo, descobrir categorias e se relacionar com uma comunidade, o espaço assume funções que vão muito além da simples transação.
O crescimento do digital e da inteligência artificial torna essa discussão ainda mais importante. Quanto mais eficiente se torna a compra online, menos sentido existe em construir lojas cuja única função é armazenar produtos em prateleiras esperando alguém entrar para comprá-los.
O futuro da loja física não está, portanto, em competir com o celular pela conveniência. Está em desenvolver aquilo que a presença pode fazer melhor.
O que uma loja física precisa oferecer na era do varejo omnichannel?
Uma arquitetura comercial estratégica precisa começar entendendo qual função o espaço terá dentro da jornada e quais comportamentos deverá favorecer. Para algumas marcas, o principal objetivo será experimentação; para outras, serviço, descoberta, comunidade, personalização, branding ou retirada de pedidos. Muitas operações precisarão combinar várias dessas funções.
A partir dessa definição, layout, Visual Merchandising, iluminação, mobiliário, estímulos sensoriais e comunicação passam a ser ferramentas para construir a experiência desejada. O projeto deixa de começar pela estética e passa a começar pela estratégia.
Também é necessário analisar o mix. Quais produtos precisam de maior exposição? Quais dependem de teste? Onde existem oportunidades de cross-selling? Quais categorias podem trazer novos públicos? O que pode ser exclusivo do canal físico? Como presentes, serviços ou personalização podem ampliar ocasiões de compra?
Por fim, o projeto precisa considerar integração com os outros canais. Uma loja omnichannel não deveria funcionar como uma ilha dentro da organização. Sua contribuição para descoberta, confiança e relacionamento precisa ser reconhecida dentro da estratégia global da marca.
Case Vizzela: do digital para um ecossistema de experiências físicas
A Vizzela é um bom exemplo justamente porque sua entrada em canais próprios não surgiu da ausência de presença de mercado. A empresa já possuía distribuição, reconhecimento e forte relacionamento digital. O ponto físico surgiu para preencher uma lacuna diferente: permitir que a identidade completa da marca chegasse diretamente ao consumidor.
O conceito desenvolvido pela GDesign transformou essa intenção em decisões concretas de arquitetura: ambientação divertida, estímulo à interação, áreas de experimentação, Gift Shop, universo Vizzelovers, espaços capazes de gerar conteúdo e diferentes formatos preparados para traduzir a mesma personalidade em quiosques, lojas e flagship.
Segundo Aline Waiser, um dos diferenciais do trabalho esteve justamente na capacidade da GDesign de mergulhar no universo da Vizzela e transportar para o design aquilo que a empresa queria comunicar aos consumidores.
Esse talvez seja o principal aprendizado do case. A questão não é transformar uma marca digital em uma marca física. É fazer com que físico e digital sejam expressões diferentes da mesma marca, utilizando as vantagens específicas de cada canal para construir uma relação mais completa com o consumidor.
Sua loja ainda foi projetada apenas para vender dentro dela?
Na GDesign, desenvolvemos projetos de arquitetura comercial, conceito de loja, flagship, quiosques e rollout partindo do papel que o espaço deve desempenhar dentro da estratégia da marca. Isso significa analisar comportamento do consumidor, jornada, mix, experimentação, Visual Merchandising, operação e capacidade de expansão antes de transformar essas decisões em arquitetura.
Para marcas digitais que estudam abrir seus primeiros pontos físicos, redes que precisam rever conceitos existentes ou empresas que percebem que suas lojas já não acompanham a maneira atual de comprar, o desafio não é simplesmente atualizar a estética.
É necessário redefinir por que o consumidor deve entrar naquela loja e qual valor o espaço precisa continuar gerando mesmo depois que ele sai.
Se sua marca está repensando o papel da loja física, criando uma flagship ou estruturando um conceito preparado para diferentes formatos e canais, fale com a GDesign. Podemos transformar estratégia, comportamento de consumo e posicionamento em uma experiência física capaz de fortalecer marca, relacionamento e resultado.
FAQ sobre loja física no varejo omnichannel
A loja física ainda faz sentido com o crescimento do e-commerce?
Sim, desde que sua função vá além de simplesmente disponibilizar produtos para compra. No varejo omnichannel, a loja pode atuar como ponto de experimentação, atendimento, descoberta, relacionamento, branding, retirada, troca e aquisição de novos consumidores, complementando os canais digitais.
O que é uma loja física omnichannel?
É uma operação integrada aos demais canais da marca, permitindo que o consumidor transite entre loja, site, aplicativo, redes sociais e outros pontos de contato sem perceber cada canal como uma experiência isolada.
O que é efeito halo no varejo?
Efeito halo é o impacto que um canal pode gerar sobre outro. No varejo, uma loja física pode aumentar conhecimento e confiança na marca e contribuir para vendas realizadas posteriormente no e-commerce. Pesquisa da ICSC encontrou aumento médio de 6,9% nas vendas online nas regiões onde uma nova loja foi aberta, chegando a 13,9% entre varejistas emergentes DTC.
A abertura de uma loja física pode aumentar as vendas online?
Pode existir esse efeito, mas o resultado varia de acordo com marca, categoria, localização e estratégia. Estudos internacionais sobre o halo omnichannel identificaram associação positiva entre novas lojas e vendas digitais, mas esses percentuais não devem ser usados como garantia de resultado para uma operação específica.
Qual é o papel da arquitetura comercial em uma loja omnichannel?
A arquitetura comercial organiza o espaço para favorecer os comportamentos que a estratégia da marca deseja gerar, como experimentação, descoberta, atendimento, cross-selling, permanência, personalização e relacionamento. Ela também ajuda a traduzir a identidade construída nos canais digitais para uma experiência física coerente.
Uma marca que nasceu digitalmente deve abrir loja física?
Não necessariamente. A decisão depende do modelo de negócio e do papel que o espaço pode desempenhar. Para algumas marcas, lojas podem melhorar experimentação, aquisição, confiança e branding; para outras, o investimento pode não gerar valor suficiente. O projeto deve começar pela estratégia, não pela premissa de que toda marca precisa ter lojas.
Qual é a diferença entre loja, quiosque e flagship?
Quiosques normalmente possuem menor área e grande exposição ao fluxo, sendo eficientes para descoberta e venda direta. Lojas permitem aprofundar sortimento e experiência. Flagships costumam assumir uma função mais ampla de posicionamento, inovação, comunidade e expressão da marca.
Como saber se uma loja física precisa ser reformulada?
Alguns sinais incluem queda de atratividade, layout que não acompanha o mix atual, dificuldade de experimentação, pouca integração com canais digitais, identidade desatualizada, problemas operacionais ou mudança no posicionamento e no perfil do consumidor.
O mix de produtos deve influenciar o projeto de loja?
Sim. Quantidade de SKUs, categorias estratégicas, necessidade de experimentação, margem, lançamentos, produtos de impulso e oportunidades de venda cruzada devem influenciar layout, exposição e Visual Merchandising.
Como medir o resultado de uma loja física além das vendas?
Além de faturamento, conversão e ticket médio, uma operação omnichannel pode acompanhar novos clientes, tráfego digital na região, retirada de pedidos, conteúdo orgânico, cadastros, recorrência, buscas pela marca, interação com produtos e possíveis impactos sobre outros canais.
Como uma flagship ajuda uma marca?
Uma flagship pode materializar o posicionamento em sua expressão mais completa, funcionar como laboratório para novas experiências, gerar conteúdo, fortalecer comunidade e ampliar a percepção de marca. Seu retorno, portanto, não precisa ser analisado apenas pelas vendas realizadas diretamente dentro da unidade.
Como a GDesign pode ajudar uma marca a repensar suas lojas físicas?
A GDesign atua desde a estratégia e criação do conceito até projeto arquitetônico, experiência, Visual Merchandising, projetos executivos e rollout. O objetivo é conectar comportamento do consumidor, posicionamento, mix, operação e expansão para desenvolver espaços que façam sentido dentro da estratégia atual do negócio.